NBR 10818 em revisão: o que está sendo discutido e por que o mercado deve acompanhar

A tecnologia utilizada em piscinas mudou significativamente nos últimos anos. Sistemas automatizados de monitoramento e dosagem ganharam espaço, novos métodos de tratamento passaram a integrar o mercado e a discussão sobre segurança e controle da qualidade da água se tornou mais ampla.

Esse avanço também exige atualização das referências técnicas utilizadas pela cadeia.

Durante a Expolazer 2026, a ANAPP reuniu profissionais envolvidos no processo de revisão da ABNT NBR 10818, em um painel dedicado à legislação e às suas implicações para o mercado. Segundo a entidade, o trabalho vem sendo desenvolvido há aproximadamente seis anos e envolve especialistas de diferentes áreas.

Em agosto de 2026, o Plano de Trabalho da ABNT lista, no âmbito da ABNT/CEE-215 Piscinas, o projeto “Qualidade da Água de Piscinas e spas” na etapa de Análise da Consulta Nacional pela Comissão de Estudo.

Por que uma revisão desse tipo é relevante?

Uma norma técnica precisa acompanhar mudanças de tecnologia, operação e conhecimento acumulado pelo próprio mercado.

No caso das piscinas, essa evolução envolve desde produtos químicos e equipamentos de tratamento até sensores, automação, métodos de monitoramento e diferentes configurações de piscinas residenciais e de uso coletivo.

Segundo o conteúdo apresentado pela ANAPP durante a Expolazer, os grupos técnicos envolvidos na revisão aprofundaram discussões relacionadas a qualidade da água, produtos químicos, equipamentos, sistemas de tratamento e segurança.

Isso amplia a relevância do tema para praticamente toda a cadeia.

Qualidade da água vai muito além da aparência

Entre os assuntos discutidos no processo de revisão estão parâmetros como pH, potencial de oxirredução (ORP), cloro livre, alcalinidade, ácido cianúrico, cloro combinado, dureza, ciclo de filtração e controle microbiológico.

Um dos pontos importantes desse debate é justamente a necessidade de observar esses indicadores de forma integrada.

Água visualmente transparente, por exemplo, não é suficiente para comprovar segurança microbiológica. Aparência, equilíbrio químico, eficiência da filtração, desinfecção e condições operacionais precisam ser considerados dentro de um sistema de controle.

A discussão ganha ainda mais relevância em piscinas coletivas, onde número de usuários, carga de contaminantes e intensidade de operação devem exigir acompanhamento mais rigoroso.

ORP e automação entram com mais força no debate

Outra frente apresentada durante o painel da ANAPP foi o avanço da automação no tratamento da água.

O ORP, ou potencial de oxirredução, é utilizado como indicador relacionado à capacidade de oxidação e desinfecção da água e esteve entre os temas considerados no processo de atualização. A discussão apresentada pelos especialistas reforçou também que esse indicador precisa ser interpretado em conjunto com outros parâmetros, especialmente o pH.

Ao mesmo tempo, sistemas automatizados tornam possível realizar medições e correções com maior continuidade.

Isso não significa eliminar a atuação profissional. Pelo contrário: quanto maior a capacidade tecnológica dos sistemas, maior será a necessidade de dimensionamento correto, configuração adequada, interpretação dos dados e manutenção qualificada.

Tecnologias de tratamento também entram no radar

O mercado atual dispõe de soluções que vão além dos sistemas tradicionais de tratamento.

Durante a discussão da revisão, foram abordadas tecnologias como geradores de ozônio, ionizadores, UV e geradores de cloro. A ANAPP destaca que o crescimento da utilização dessas tecnologias aumenta a necessidade de critérios relacionados a instalação, funcionamento e segurança.

É importante observar que tecnologias complementares não devem ser avaliadas de forma isolada. A eficiência de um sistema depende da combinação entre dimensionamento, hidráulica, tratamento, monitoramento, manutenção e características específicas da piscina.

Quem precisa acompanhar essa revisão?

Os possíveis efeitos não ficam restritos a laboratórios ou fabricantes.

Para a indústria, uma referência técnica atualizada pode influenciar desenvolvimento, documentação e aplicação de produtos e equipamentos.

Para construtores, projetistas e instaladores, critérios técnicos afetam dimensionamento, especificação e execução.

Para lojistas e distribuidores, aumentam a importância da informação técnica e da recomendação adequada.

E, para operadores e profissionais de tratamento, mudanças relacionadas a monitoramento, parâmetros da água e tecnologias podem influenciar diretamente procedimentos e rotinas de manutenção.

Por isso, a revisão interessa a toda a cadeia.

Norma técnica e profissionalização caminham juntas

Talvez um dos aspectos mais relevantes dessa discussão seja o que ela revela sobre a evolução do próprio mercado.

Quanto mais tecnologia é incorporada às piscinas, mais importante se torna a capacidade de interpretar dados, compreender equipamentos, seguir procedimentos e tomar decisões tecnicamente fundamentadas.

A revisão da NBR 10818, portanto, não deve ser observada apenas como uma futura alteração documental. Ela faz parte de um movimento mais amplo de padronização, segurança e profissionalização do mercado brasileiro de piscinas.

O processo ainda está em andamento, e justamente por isso merece acompanhamento.

O conteúdo apresentado na Expolazer 2026 indica que qualidade da água, automação, segurança, controle microbiológico e tecnologias estão ocupando espaço importante nas discussões técnicas do setor.

Até a conclusão formal do processo pela ABNT, empresas e profissionais devem continuar utilizando as normas e requisitos atualmente aplicáveis às suas atividades.

A Expolazer seguirá acompanhando essa evolução e trazendo para seus canais os temas que influenciam o desenvolvimento técnico do mercado de piscinas.

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